No embalos dos Catopês, componentes da Niterói falam sobre fé

A Acadêmicos de Niterói vem falando sobre a festa de Catopês, que ocorre anualmente em Montes Claros, Minas Gerais, como enredo “Catopês – um céu de fitas”. Com origem no Congado, os festejos se desdobram em formas diferentes ao longo do mês de agosto, sendo os principais os grupos de catopês. Um dos momentos mais belos da cultura da cidade, vem sendo exaltado pela escola niteroiense.

É um grande momento de devoção e fé alinhados com os festejos populares, procissões, e os mastros de fitas que colorem a cidade durante os dias de festas. O CARNAVALESCO foi a concentração da escola, e perguntou, no espírito do enredo, aos componentes da Niterói sobre fé e religiosidade popular da festa de Catopês e no dia a dia deles, ao passo que todos afirmaram que a fé pode sim mover as montanhas da nossa vida.

Fernanda Bermudes, de quarenta e cinco anos, ficou conhecendo a festa de Catopês através da Niterói após o lançamento do enredo: “É uma festa muito bonita, muito alegre e tradicional lá em Minas, e eles mantêm isso e tem essa manutenção dessa cultura, isso é muito importante”. A desfilante, que está pela primeira vez na escola, acredita que essa união de fé e cultura pode independer de religião para aproveitamento destes momentos: “Independente de dizer que é católico, que é umbandista, que é evangélico. Isso, assim, são coisas que você cultiva dentro de si, independente de, sabe, de nomes. Dogmas”. Sobre as festas religiosas, populares, como os Catopês, Fernanda conta que se encanta, e que se sente muito feliz pelo carnaval, por exemplo, ser uma festa assim: “Eu acho maravilhoso, né? Porque assim, eu como não tenho uma crença, não me enquadro em nenhuma religião e amo o Carnaval, pra mim, sabe, é a junção perfeita. E eu acho muito ruim isso, às vezes você até gosta, mas você não pode praticar, você não pode estar ali, porque você se diz de uma religião ou de outra, entendeu? E é coisa que vai além do, sabe, do título”.

Daniela Piero, que desfila a três anos na Niterói, começou falando sobre a como acreditar, ter fé é necessário para o povo como um todo: “No nosso caso em específico, só com fé mesmo, porque acreditar o que é que a gente tem, né? Então é só a fé que a gente se apega e acredita que as coisas vão ter uma resolução boa, né, pra gente, porque infelizmente não tem muita coisa pra gente se apegar”. A componente de quarenta e três anos falou da Festa de Catopês como um momento de alegria, e expressão de forma alegre da fé: “Eu acho que o brasileiro, de um modo geral, é um povo festivo. Então, misturar a festa com a religião, eu acho importante, porque é uma forma que a gente se expressa com alegria. Somos um povo carente de alegria. Qualquer coisa que a gente possa se manifestar, que a gente possa viver, vibrar, eu acho importante. O brasileiro gosta muito disso. Então, é procissão, a gente tem festa, a gente faz uma festa grande. Faz a procissão e tudo, depois a gente festeja. E tem o carnaval também, que de uma forma ou de outra acaba misturando a religião, que é uma forma de expressar com o povo carente. Então, a alegria acaba se misturando e eu acho importante”.

Ismária de Souza, de quarenta e três anos, comenta dessa junção de fé e cultura popular, como demonstrada na festa do Catopês: “A fé e a cultura estão envolvidas, não é? São um só. Porque se tem fé, e a gente também tem a nossa cultura. A gente tem que ter regras na nossa vida. Nós temos regras”, pedindo respeito às diferenças que as pessoas possuem, como as próprias diferenças culturais: “Temos que respeitar os outros, cada um, Deus não fez ninguém igual, então por aí a gente já tira, e com a cultura de cada um tem que ser da mesma forma”. Ela ainda falou sobre conhecer a festa com o enredo da escola niteroiense: “Estou descobrindo agora, com a escola, e amei, é tudo lindo, e foi a primeira vez que eu fiquei conhecendo, da história toda e amei”.

Daniel Gomes, vindo pelo quarto ano na escola, contou um pouco sobre o enredo da Niterói: “É sensacional, porque traz uma festa centenária e muito tradicional e a gente conseguiu levar isso aqui pra avenida do jeito que a gente está levando, misturando várias fés diferentes das pessoas. Isso é fantástico. O enredo é sensacional”. Continuando, o componente de quarenta e um anos falou sobre a manifestação da fé para ele: “O importante é você ter uma fé, né, uma coisa que você acredite, né? Eu acho que a pessoa ruim é a pessoa não ter fé. Então a gente ter essa mistura de crenças e fés, principalmente no Carnaval, é uma coisa que só vem a agregar na festa, uma coisa fantástica, a gente vê mistura de raças, de credos e todo mundo aqui feliz, confraternizando, eu acho que é isso que a gente precisa para a nossa humanidade”.

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